Nascida em Serrolândia, na Bahia, em 15 de agosto de 1939, primogênita de José Martinhano e Maria de Olinda, Adeuzina criou oito filhos praticamente sozinha depois que o casamento se encerrou em 1972 e as propriedades foram vendidas sem o conhecimento dela. Trabalhou como doméstica, nunca aprendeu a ler, cuidou da mãe acamada, criou netos e a enteada, e em 1979 saiu do aluguel comprando um terreno em Suzano com os filhos Eugênio e Carlos. Morreu em Suzano em 22 de junho de 2010, aos 70 anos, depois de uma celebração familiar — e no pátio do hospital Sérgio e Irene viram uma árvore inteira tomada por centenas de periquitos, os pássaros que ela mais amava.
Parede de Histórias
18 históriasCada história é uma peça importante dessa construção. Você também pode fazer parte.
Quem conviveu com ele
10 de 10 depoimentosA história de Eugênio contada por quem estava lá — na ordem da família.
Histórias documentadas
APrimeiro neto, primeiro filho
Nasci em 11/11/1959, na Bahia, era o primeiro neto e o primeiro filho.
Saí de casa aos 13 anos
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Saí de casa aos 13 anos
Fui trabalhar no canteiro de obra em Salesópolis como pedreiro tarefeiro de reboco. Dormia sobre uma tábua de 30 cm até me alojar.
A presença de Deus em Foz do Iguaçu
registro sem fotografia no acervo
A presença de Deus em Foz do Iguaçu
“Eu vi a presença de Deus na imensidão daquelas águas. Senti a mão de Deus.”
O dia da garotinha na montanha
registro sem fotografia no acervo
O dia da garotinha na montanha
“Estávamos no pico mais alto de Santa Catarina, com garoa. A menina escorregou e ele a agarrou no colo.”
Prumo, Nível e Ninha
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Prumo, Nível e Ninha
Quando o Carlos Preto foi trabalhar comigo, pedi que escrevesse em um caderno: PRUMO, NÍVEL E NINHA.
Quebrei várias vezes
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Quebrei várias vezes
O material registra que dizia não poder dar conselho financeiro porque havia quebrado várias vezes.
O curso para perdoar o pai
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O curso para perdoar o pai
Há registro de que Eugênio pagou um curso para Carlos Preto com o intuito de ajudá-lo a perdoar o pai.
Sempre tem algo para aprender
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Sempre tem algo para aprender
Escolaridade formal até a 5ª série e uma busca posterior por cursos e aprendizado.
O Eugênio que Carlos conheceu
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O Eugênio que Carlos conheceu
“Carlos conta o irmão que estudou muito e reunia conhecimento das áreas humanas à construção civil, e que não sossegava enquanto a família não se desenvolvesse — estava sempre oferecendo informação e oportunidade. Lembra que vivia dizendo a Eugênio que “Ouro de Tolo”, do Raul Seixas, falava dele, o eterno insatisfeito, e que tempos depois o irmão ouviu a música e concordou. Aos 16 anos de Carlos os dois compraram juntos um terreno na Vila Maluf, em Suzano, e pagaram as prestações com muito aperto; em 1988 ou 1989 venderam os carros para abrir a Luzágua, a primeira loja de material de construção, num antigo boteco em frente à estação de trem que eles mesmos reformaram. Guarda ainda o conselho que ouviu aos 17 anos, quando trabalhava apertando parafusos: “Você pode apertar parafusos, mas aperte profissionalmente. Seja um profissional.””
O Eugênio que Adriana conheceu
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O Eugênio que Adriana conheceu
“Adriana conta que dizia ao irmão estar cansada da pobreza e recebeu dele as teorias de mentalizar o dinheiro — fechar os olhos e já se ver no carro e na casa dos sonhos. Lembra que ele mandava quem estava desesperado respirar e se imaginar com o problema resolvido, que pedia para colocar toda ideia no papel com modelo, cor e quantidade, e que nunca aconselhava desistir: 'se eu tenho o que tenho hoje, você também é capaz'. Quando algo dava errado, ouvia que estava pensando errado e que a mente absorve isso; o conselho mais repetido era gastar os próprios 10% consigo, ajudar as pessoas e viver como se fosse o último dia.”
O Eugênio que Ana Paula conheceu
registro sem fotografia no acervo
O Eugênio que Ana Paula conheceu
“Ana Paula lembra de uma conversa em que ele chamou a sociedade de efeito manada, dizia ser contra essa imposição e, mesmo reconhecendo que a vida é difícil, repetia que era muito bom viver. Conta que ele aplicava a terapia e o coaching que adorava, insistindo que a resposta já estava dentro da pessoa e que a mente só precisava ser reorganizada, e que diante de uma ideia perguntava se era para ser empresário ou funcionário e se já havia plano de negócios no papel. Guarda a frase sobre o preço das coisas — 'se não quer pagar IPVA, não tenha carro' — e o último conselho que ele lhe deu: 'em tempos de desespero ou de muita tristeza, não assine nada, não compre nada e não venda nada.'”
O Eugênio que Irene conheceu
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O Eugênio que Irene conheceu
“Irene guarda o jeito de Eugênio recolocar a pessoa de pé: diante do desespero, mandava olhar para a situação em que ela mais tinha dado certo e seguir a própria imagem de vitoriosa. Diante de uma ideia, perguntava para quem ela era e o que se queria alcançar; nunca aconselhava desistir, porque prosseguir é melhor, e, quando algo dava errado, dizia para dormir certo de que a resposta viria pela manhã. As frases que ela repete dele são 'você faz a sua mente trabalhar para você' e 'eu sou luz, aquilo que eu sonho eu posso viver'.”
O Eugênio que Reinaldo conheceu
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O Eugênio que Reinaldo conheceu
“Reinaldo lembra do dia em que o irmão ficou filósofo: 'se desistir do que quer nunca vai ter, porém nunca saberá como é ter o que quer'. Conta que diante do desespero alheio ele falava em prejuízo estancado e lucro — fazer agora, porém diferente —, que diante de uma ideia mandava ser rápido porque ela não veio só para você, e que quando algo dava errado pensava em copiar alguém, porém melhor. O conselho que mais repetia era não esquecer a família, que para ele era maior que pai, mãe, esposa e filhos: se um dia precisar, é nesse meio que se encontra ajuda.”
O Eugênio que Sergio conheceu
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O Eugênio que Sergio conheceu
“Sérgio lembra que aos 12 anos, cercado de elogios, ouviu do irmão que era bonito e divertido mas 'burro, sem futuro' porque tinha repetido e largado a escola — foi o empurrão que o fez voltar a estudar pelo Mobral e pelo supletivo e nunca mais repetir de ano. Conta que Eugênio ajudava quem estava desesperado mesmo se prejudicando, com bronca, terapia ou dinheiro, e sempre tinha um livro para indicar; diante de uma ideia nova, perguntava como aquilo ia gerar dinheiro, e ensinava que o melhor jogo é o do ganha-ganha. O conselho que não esqueceu veio depois de um infarto e de uma coluna trincada, quando já tinha vendido as ferramentas e desistido: 'Sergio, desistir agora é covardia, você não está morrendo, construa outra casa, você consegue. O problema está na mente.'”
O Eugênio que Andreia conheceu
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O Eugênio que Andreia conheceu
“Andreia conta que, quando estava aflita com alguma questão particular, bastava ligar: ele se prontificava a ir visitá-la para aconselhar e ajudar com escuta e atenção. Lembra as frases que ele usava — “O fruto nunca cai longe da árvore”, “É preciso saber viver”, “Ninguém pediu sinceridade” — e que, quando algo dava errado, ele seguia em frente sem se remoer nem se martirizar. Guarda uma conversa em que ele lhe pediu desculpas por ter cobrado demais em relação à mãe, reconhecendo que todos os filhos deixaram a desejar e que ela havia feito o que conseguiu fazer — e diz que chorou e agradeceu naquele momento.”
O documento que deu origem a esta história
registro sem fotografia no acervo
O documento que deu origem a esta história
O documento que a família organizou sobre ele: nascimento na Bahia em 11/11/1959 como primeiro filho de Adeuzina, a saída de casa aos 13 anos para o canteiro de obras em Salesópolis, as profissões, os cursos, os livros, as metas, os medos, as falas marcantes, Foz do Iguaçu, a menina no pico de Santa Catarina, os negócios que quebraram e o caderno do Carlos Preto.
A história de Eugênio
registro sem fotografia no acervo
A história de Eugênio
Do menino que saiu de casa aos treze anos para o canteiro de obra ao irmão que comprava terreno sem ter dinheiro, quebrou cinco vezes e recomeçou, e ao conselheiro que ia até a casa de quem estava aflito só para escutar.
Adeuzina, a Lili — a história dela
registro sem fotografia no acervo
Adeuzina, a Lili — a história dela
“Nascida em Serrolândia, na Bahia, em 15 de agosto de 1939, primogênita de José Martinhano e Maria de Olinda, Adeuzina criou oito filhos praticamente sozinha depois que o casamento se encerrou em 1972 e as propriedades foram vendidas sem o conhecimento dela. Trabalhou como doméstica, nunca aprendeu a ler, cuidou da mãe acamada, criou netos e a enteada, e em 1979 saiu do aluguel comprando um terreno em Suzano com os filhos Eugênio e Carlos. Morreu em Suzano em 22 de junho de 2010, aos 70 anos, depois de uma celebração familiar — e no pátio do hospital Sérgio e Irene viram uma árvore inteira tomada por centenas de periquitos, os pássaros que ela mais amava.”
nova históriaUma nova lembrança também faz parte dessa construção.Compartilhar