O começo: a Bahia, a casa e a partida aos treze anos
Eugênio nasceu em 11 de novembro de 1959, na Bahia. Era o primeiro filho de Adeuzina e também o primeiro neto da família — o começo de uma história que deixaria marcas profundas em todos ao redor.
Baiano, tinha 1,68 m, pesava 75 kg e era do signo de Escorpião.
Desde criança, ignorava todas as religiões e dizia que quem entendesse de hipnose saberia o porquê.
Sua passagem pela escola formal terminou na quinta série.
Aos treze anos, quando ainda era apenas um menino, saiu de casa para trabalhar em um canteiro de obras em Salesópolis, como pedreiro tarefeiro de reboco.
Antes de conseguir um lugar no alojamento, dormiu sobre uma tábua de apenas trinta centímetros — uma imagem pequena na medida, mas imensa na dureza do que viveu.
Depois, já alojado, participava de uma brincadeira em que se disputava quem era o melhor no arremesso de facas.
Voltou para casa por causa de Irene, a irmã mais nova.
E voltou trazendo mais do que a experiência de quem precisou crescer cedo: levava consigo um propósito que atravessaria toda a sua vida — tirar a família da miséria.
O ofício: aprender cedo, com as próprias mãos
Aos doze anos, Eugênio já era pedreiro.
Enquanto outras crianças ainda descobriam o mundo, ele aprendia a construí-lo com as próprias mãos.
O pai, seu Manuel, ensinou o ofício aos filhos.
Carlos lembra que, com ele, não houve jeito: era o tempo da escola forçada e de acompanhar o pai nas construções.
Dessa história nasceu uma lista de profissões que, por si só, parece carregar o peso e a coragem de uma vida inteira: eletricista, azulejista, pedreiro, encanador, soldado da PM, empresário, construtor e gerente de desmanche em Cubatão.
Carlos guarda daquele tempo um conselho que nunca perdeu a força.
Aos dezessete anos, trabalhava apertando parafusos em uma empresa de material elétrico e reclamava da tarefa.
Foi então que ouviu do irmão uma lição simples, mas capaz de acompanhar alguém por toda a vida: "Você pode apertar parafusos, mas aperte profissionalmente. Seja um profissional."
O sócio: o terreno, a Luzágua e o dinheiro que faltava
Quando Carlos tinha dezesseis anos, Eugênio apareceu com uma ideia que parecia maior do que as possibilidades dos dois: comprar um terreno.
O primeiro obstáculo era evidente — não tinham recursos. O segundo era decidir onde. Escolheram Suzano, procuraram o bairro mais próximo do centro que cabia no bolso e compraram um terreno na rua 14, na Vila Maluf.
As prestações não eram caras; eles é que ganhavam pouco demais. Ainda assim, uma a uma, pagaram todas.
Em 1988 ou 1989, nasceu outra ideia: abrir uma loja de material de construção.
Eugênio trabalhava com Teruyia na construção de prédios, ouviu a sugestão e deixou o projeto amadurecer.
Procuraram um ponto em Suzano e conseguiram alugar um antigo boteco em frente à estação de trem — um lugar feio, instalado em uma casa velha, mas onde eles já conseguiam enxergar um futuro. Reformaram quase tudo por conta própria.
Como não tinham o hábito de guardar dinheiro para investir, venderam os carros e ficaram apenas com um Volkswagen para fazer as entregas.
Foi assim, entre renúncias, trabalho e esperança, que nasceu a Luzágua, considerada por Carlos o início da prosperidade dos dois.
As quedas: o homem que dizia não poder dar conselhos financeiros
Eugênio dizia, com a franqueza de quem não escondia as próprias cicatrizes, que não podia dar conselhos financeiros porque havia quebrado várias vezes: com uma loja de roupas, uma fábrica de carrinhos, uma fábrica de blocos, lojas de material de construção e uma agência de carros.
Nada disso está escondido aqui, porque ele próprio nunca escondeu as quedas.
Mas o que os irmãos guardaram, acima de tudo, foi a forma como Eugênio se levantava depois de cada uma delas.
Andreia conta que, quando algo dava errado, ele seguia em frente, sem se remoer nem se martirizar.
Ana Paula lembra que ele dava um passo atrás e tirava alguns dias de descanso para clarear a mente, pois sabia que a solução só apareceria com a cabeça calma.
Reinaldo ouviu a fórmula mais direta: "Vou copiar alguém, porém melhor."
Sérgio registra outra: quando faltava dinheiro e tudo dava errado, era hora de tirar férias — respirar, recarregar e encontrar forças para começar novamente.
A busca: sempre havia algo para aprender
A escola formal terminou na quinta série, mas sua vontade de aprender jamais encontrou um ponto final.
Eugênio continuou estudando por toda a vida.
Buscou conhecimentos em Programação Neurolinguística, hipnose, leitura dinâmica, Empretec, psicologia, coaching, técnica de edição, mecânica, dança de salão e mergulho.
Fez cursos de Lair Ribeiro, Paulo Vieira, Marcos Trombeta e Jorge Ladeiro.
E lia. Lia como quem continuava procurando respostas — para si e para os outros.
Entre os livros estavam Pense e Enriqueça, Pai Rico, Pai Pobre, A Ciência Para Ficar Rico, O Sucesso Não Ocorre por Acaso, Lei da Atração, O Poder da Ação e De Volta ao Passado.
Sérgio conta que, quando alguém chegava desesperado, Eugênio sempre tinha um livro para indicar.
Carlos resume o irmão de um modo que todos reconhecem: Eugênio sabia muito, em muitas áreas — das relações humanas à construção civil — e, ainda assim, carregava a sensação de que sempre havia algo além para descobrir.
Carlos dizia que Ouro de Tolo, de Raul Seixas, parecia falar sobre ele: o eterno insatisfeito. Algum tempo depois, Eugênio ouviu a música e concordou, como quem finalmente se reconhece em uma canção.
O jeito de ajudar: uma pergunta antes da resposta
Entre todos os traços de Eugênio, este é o que mais pulsa nos sete depoimentos: ele não conseguia ficar indiferente à dor de quem o procurava.
Quando alguém chegava desesperado, encontrava alguma forma de ajudar.
Sérgio diz que ele ajudava até quando isso o prejudicava — fosse com uma bronca, uma terapia ou dinheiro.
Para Andreia, bastava uma ligação: ele se prontificava a visitá-la e oferecia conselho, escuta e atenção.
Irene ouvia: "Veja em qual situação você mais deu certo e como estava; siga a sua imagem de vitoriosa."
Adriana era orientada a respirar e a se imaginar com o problema resolvido.
Ana Paula recebia a terapia e o coaching de que ele tanto gostava, sempre com a insistência de que a resposta já estava dentro dela e de que era preciso reorganizar a mente.
Diante de uma ideia nova, sua resposta quase sempre começava com uma pergunta.
A Sérgio, perguntava: "Como isto vai gerar dinheiro?"
A Irene: "Para quem, e o que você deseja alcançar?"
A Reinaldo: "Seja rápido, não veio só para você."
A Adriana: "Coloca tudo no papel: modelo, cor, quantidade."
E a Ana Paula: "É para ser empresário ou funcionário? Você já estruturou e fez o plano de negócios?"
Havia, porém, caminhos que ele se recusava a apontar.
Nunca dizia a alguém que desistisse.
Nunca recomendava prejudicar outra pessoa; ensinava que o melhor jogo era aquele em que todos ganham.
Também não aconselhava ninguém a se acomodar no mesmo padrão financeiro nem a permanecer casado sem querer.
Em suas palavras, ajudar também era empurrar a vida para a frente.
Duas histórias revelam até onde esse modo de ajudar podia chegar — e como suas palavras, mesmo duras, podiam mudar destinos.
Aos doze anos, Sérgio vivia cercado de elogios das meninas quando ouviu do irmão que era bonito e divertido, mas burro e sem futuro, porque havia repetido de ano e abandonado a escola.
Aquelas palavras doeram, mas se tornaram o empurrão que o levou de volta aos estudos: passou pelo Mobral, pelo supletivo e pelo colégio, e nunca mais repetiu de ano.
Anos depois, após sofrer um infarto e trincar a coluna, Sérgio entregou as ferramentas, desfez-se de suas coisas e desistiu, pois já não conseguia caminhar mais de cento e cinquenta metros.
Foi então que a voz do irmão voltou a chamá-lo para a vida: "Sergio, desistir agora é covardia, você não está morrendo. Construa outra casa, você consegue. O problema está na mente."
Quando Carlos Preto, filho de Carlos, foi trabalhar com ele, Eugênio pediu que registrasse em um caderno a lição: PRUMO, NÍVEL E NINHA.
Também pagou um curso para ele com um único propósito: que perdoasse o pai.
A fé que não cabia em uma religião
Desde criança, Eugênio ignorava as religiões.
Ainda assim, duas passagens guardadas pela família falam sobre Deus — não como doutrina, mas como presença sentida em momentos impossíveis de esquecer.
Diante da imensidão de Foz do Iguaçu, Eugênio encontrou palavras para uma gratidão que parecia transbordar junto com as águas. Disse a Sérgio: "Eu vi a presença de Deus na imensidão daquelas águas, senti a mão de Deus. Eu vou proporcionar isso para meus irmãos, sei que muitos não terão a possibilidade de conhecer, e também sei que podem não sentir o que estou sentindo, esta satisfação de gratidão."
A outra passagem aconteceu em um dos picos mais altos de Santa Catarina, sob garoa. Eugênio, Wilson e Sérgio subiam quando avistaram um pai e uma menina sobre uma pedra muito alta.
De repente, a menina escorregou e caiu — e Eugênio a agarrou no colo. Naquele instante, entre o susto e o alívio, Wilson disse: "Só vínhamos salvar a garotinha, porque não dá pra ver nada daqui. Isto é Deus, Eugenio."
O que ele queria — e o que temia
Eugênio não escondia suas duas grandes metas.
Uma nasceu da dor de suas origens: tirar a família da miséria.
A outra traduzia o tamanho de sua ambição: alcançar um milhão de dólares em patrimônio.
Seu maior medo também era claro — a velhice, acompanhada da possibilidade de adoecer e ficar sem recursos.
Ele próprio escreveu que sua inveja era o rei Salomão.
Entre suas músicas estavam Asa Branca, com Luiz Gonzaga, e Irmãos Coragem, com Jair Rodrigues.
O fim: o que ficou escrito, dito e repetido
Ficaram lembranças, ensinamentos, admiração e, em uma simples caneca, ficaram algumas das suas principais falas:
A obra é mágica. Já estava aí ou sua mente criou?
Eita, homem de pouca fé.
Se o trabalho está prejudicando a saúde, então não compensa.
Estou pronto PARA, em condições D.
Temos que ser igual madeira de lei, suportar tempestades.
O maior problema está na mente.
Também ficaram as frases que ele repetia a quem se aproximava — palavras que hoje carregam o som de sua voz e a força de sua presença:
"A pessoa que não quer pagar o preço não deve ser ajudada."
"Oração sem ação é querer que Deus faça."
"Você faz a sua mente trabalhar para você."
"Eu sou luz, aquilo que eu sonho eu posso viver."
"O fruto nunca cai longe da árvore."
E, acima de tudo: "Nunca esqueça a família."
Para ele, família era algo maior do que pai, mãe, esposa e filhos, pois é nesse meio que se encontra ajuda quando, um dia, se precisa.
Uma das últimas coisas que Andreia ouviu dele foi um pedido de desculpas — um daqueles gestos que permanecem quando as palavras terminam.
Eugênio reconheceu que havia cobrado demais em relação à mãe, que todos os filhos tinham deixado um pouco a desejar com ela e que ela havia feito o que conseguira fazer. Andreia chorou e agradeceu.
E, entre tantas orientações deixadas ao longo da vida, Ana Paula guarda como último conselho estas palavras: "Em tempos de desespero ou de muita tristeza, não assine nada, não compre nada e não venda nada."
O menino que, aos treze anos, dormiu sobre uma tábua de trinta centímetros para ajudar a sustentar a família tornou-se o irmão que comprou um terreno sem ter dinheiro;
O sócio que vendeu o carro para abrir uma loja;
O homem que caiu muitas vezes, mas escolheu recomeçar;
O conselheiro que chegava à casa de quem estava aflito simplesmente para escutar.
Sua história não cabe apenas nas obras que construiu, nos negócios que abriu ou nos desafios que enfrentou.
Ela permanece nas vidas que tocou, nos conselhos que ainda ecoam e na família que jamais pediu que esquecessem.
É essa trajetória — feita de trabalho, quedas, aprendizado, cuidado e família — que estas páginas guardam.
Cada fato deste texto vem de um registro do acervo; a costura entre eles é trabalho do projeto. O documento que deu origem à história está ligado ao lado.

